Una vez más
agosto 30, 2011 at 5:57 am 1 comentário
“Se eu voltar
Terei medo de prosseguir e sobrevoar o rio inteiro
Graças a Deus os meus olhos podem se abrir
Perceber a cor do seus”
Praticamente dois anos depois de parar de escrever volto a usar este blog . Eu completava um ano vivendo na Espanha e recém voltava das minhas primeiras férias no Brasil, hoje resolvo fazer o contrário. Bastante ao contrário. Provavelmente em minhas últimas férias no Brasil, faltando um ano para ir embora da Espanha. Efeito espelhado.
Traçando um possível ano de volta, a ponte-aérea POA-BCN se inverte e resolvo desenhar um caminho de retorno construído passo a passo. Por isso pretendo escrever quase todos os dias, como é no sentido oposto não será com a periodicidade “quase-nunca”; como é ao contrário vai ser para mim mesmo. Até porque o principal motivo para não escrever mais por aqui foi justo a falta de audiência das minhas notícias. Daí fiquei quieto.
O silencio fez bem, fez diferente.
A falta de narrativa me levou á conversar pra dentro, a conversar sozinho, a ficar comigo, e a ficar só, e a me sentir só em mim mesmo.
A ideia é escrever quase todo dia. Mais para mim, por isso e PARA isso. Menos capricho, menos texto, mas algo que importe. Muita música, porque sem música não tem trilha sonora, senão alguma foto, algum trecho de livro, algum.
O título é explicativo.
Uma das coisas mais difíceis de “viver em castellaño” foi aprender as inversões do que falamos em português, agora isso é o mais difícil de reaprender do português. Não foi o caso com o “Mais uma vez” que aprendi ser “Una vez más” pela música do Natiruts, que é toda em português por sinal? Porque minha hipóteses é de que “uma vez más” é mais sonoro. O Calligaris (Contardo) disse certa vez que as hipóteses que criamos sobre as coisas que não entendemos nos diz mais sobre nós mesmos que sobre a coisa em si; freudianamente HONESTO.
Por esse mesmo motivo de sonoridade creio eu que ganhei como herança da minha vida espanhola um montão de expressões que nunca mais deixarei de usar. Indeléveis.
A música foi a mesma que mandei para o Daniel Alemao quando foi para Austrália, lembro disso agora. Na época enviei um e-mail com uma interpretação junto, isso se perdeu… mas.. Será que se perde o que se dá? Acho que não, isso volta e re-volta. Veremos no que dá vasculhar nessa bagunça que eu fiz tentanto arrumar malas para ir de um lado para outro, de um país para outro, de uma casa pa outra de um Eu para um Outro. De um Eu para um Mim.
“Mas a tristeza que tinha em seu peito já foi embora”
A trilha: Una vez más – Natiruts
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1.
Pri Zorzi | agosto 30, 2011 às 4:49 pm
Eu meio que tinha desistido de olhar teu blog pela falta de atualizações, mudei de idéia porque li no Facebook que tu tinhas voltado a escrever.
É um lance meio retroalimentar: a gente escreve pouco porque não tem quem leia, mas os leitores também acabam lendo menos quando as notícias são menos freqüentes. Como blogueira, sei como a falta de comentário é desestimulante, mas o incrível é que mesmo assim a gente continua. Isso me faz considerar que o princípio dos blog é escrever “a quem interessar possa”, mas a gente tem que ser o primeiro nome dessa lista.
Conheço essa história de “escrever com mais freqüência”, é praticamente uma promessa de ano novo. Mas são promessas que a gente faz pelo valor da promessa em si, não tanto pela importância (ou não) de cumpri-las.
Enfim, tu escrevendo mais ou não, estarei aqui pra dar uma olhadinha